Jorge Sampaio

Jorge Sampaio

Jorge Sampaio faleceu no passado dia 10 de setembro, a poucos dias de fazer 82 anos.
Figura maior da democracia portuguesa, Jorge Sampaio marcou indelevelmente o seu tempo. Antes e depois da Revolução dos Cravos. Antes, na oposição à ditadura. Depois, na construção e aperfeiçoamento da democracia. Em 1962, liderou o movimento de contestação estudantil que fez abanar o regime. Depois do 25 de Abril de 1974, foi deputado, líder parlamentar e Secretário-geral do PS, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e Presidente da República.
Depois de desempenhar as mais altas funções do Estado democrático, marcou o seu tempo pelo exemplo de vida e de dedicação ao Outro, intervindo cívica e politicamente. Em nome das Nações Unidas, liderou a Luta contra a Tuberculose e foi Alto Representante para a Aliança das Civilizações. Abraçou a causa dos estudantes sírios, para os quais conseguiu dezenas de bolsas de estudo. Foi o primeiro laureado com o Prémio Mandela, que distingue a “contribuição excecional” dos galardoados em prol da humanidade.
Jorge Sampaio foi sempre uma voz audível e respeitada, incluindo pelos adversários. Tinha carisma, uma cultura geral e política acima da média, um humor muito british e uma peculiar capacidade de ouvir, refletir e decidir. O seu conceito de amizade não tinha fronteiras ideológicas, partidárias ou religiosas. Quer nos tempos da revolta estudantil quer em democracia, a intervenção política de Jorge Sampaio alimentava-se da camaradagem e da amizade. Foi sempre o Primus inter pares. Portugal perdeu uma das suas maiores referências democráticas.
A Fundação Res Publica, associando-se ao luto nacional decretado pelo governo, lamenta a perda de um dos seus mais proeminentes membros do Conselho de Fundadores e endereça à sua família e amigos as mais sentidas condolências.

Edite Estrela
(Presidente do Conselho de Fundadores)

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